Letrux se fragmenta entre as canções do quarto álbum, 'Sad Sexy Silly Songs'

  • 07/04/2026
(Foto: Reprodução)
Letícia Novaes, cantora e compositora carioca conhecida como Letrux, lança o quarto álbum da discografia solo iniciada em 2017 Bruna Latini / Divulgação ♫ CRÍTICA DE ÁLBUM Título: Sad Sexy Silly Songs Artista: Letrux Cotação: ★ ★ ♬ “Tô aqui pela letra”, enfatiza Letrux em verso sussurrado de “Sad, sexy, silly”, canção composta em parceria com Jadsa. Ao abrir o quarto álbum solo da artista, a canção “Sad, sexy, silly” apresenta de cara a tríade – melancolia, sensualidade e leveza – em que se baseia o repertório do disco lançado em 27 de março pelo selo Coala Records. Realmente, as letras sempre se impuseram como o ponto mais forte do cancioneiro de Letícia Novaes, ainda que densas camadas sonoras tenham envolvido o repertório do título mais cultuado da discografia solo da artista, “Letrux em noite de climão” (2017), ao qual se seguiram “Letrux aos prantos” (2020) e “Letrux como mulher girafa” (2023). Curiosamente, a cantora e compositora descontrói essas camadas ao longo das 12 faixas do álbum “Sad Sexy Silly Songs”, concebido como um trabalho de sonoridade minimalista, calcado no violão e gravado com produção musical do baixista Thiago Rabello. Nem tudo é somente voz e violão como na balada “Ornamentais” (Letícia Novaes, Luiz Felipe Reis e Thiago Vivas), cantada por Letrux somente com o toque do violão do parceiro Thiago Vivas. Há as texturas eletrônicas dos sintetizadores e programações do produtor Thiago Rabello na escrita pop de “Caligrafia tarada” (Letícia Novaes e Bruno Capinan). O problema do disco não reside no formato das faixas, até porque, em tese, o cancioneiro de uma artista que pega o ouvinte pela palavra se enquadraria bem em moldura mais crua. A questão é que o repertório bilíngue do álbum “Sad Sexy Silly Songs” é o menos inspirado e potente da discografia solo da artista. Músicas como “Ciúme me dá frio” (Letícia Novaes) soam como sobras do repertório, e não somente porque a artista revelou que a música foi composta em 2005. Falta uma grande música que legitime um álbum já originalmente fragmentado e que às vezes muda de cor de acordo com o parceiro da artista na faixa. Há, por exemplo, em “Essa cidade é complicada” algo do frescor pop de Mahmundi, coprodutora da faixa e parceira de Letícia Novaes na composição. Com boa vontade, pode-se identificar ecos de Laurie Anderson e PJ Harvey no som do álbum, cujo título evoca canção lançada há 50 anos por Paul McCartney com o grupo The Wings, “Silly love songs” (1976), parceria de Paul com Linda McCartney (1941 – 1998). Sim, porque canções de amor às vezes são bobas, ridículas. Do contrário, não seriam canções de amor. Entre o toque climático da guitarra que ambienta “It’s like Kurt Cobain songs” (Letícia Novaes e Thiago Borges) e a arquitetura folk da canção “Nessa data querida” (Letícia Novaes e Theo Machado), o álbum “Sad Sexy Silly Songs” transcorre sem a pulsão dos discos anteriores de Letrux, artista seguida por séquito fiel. Até para quem não é da tribo da artista, músicas como “Over my dead body” (Letícia Novaes e Arthur Braganti) soam como estilhaços de um álbum que possivelmente alcance outra dimensão no palco, no recentemente estreado show em que a cantora, indo além do repertório do disco, dá voz a “Pra dizer adeus” (Edu Lobo e Torquato Neto, 1966), música nada bobinha que lembra que o amor é a coisa mais triste quando se desfaz. Entre a leveza, o desejo e a melancolia, Letrux se fragmenta e fica no meio do caminho com o repertório desbotado do álbum “Sad Sexy Silly Songs”. Capa do álbum 'Sad Sexy Silly Songs', de Letrux Reprodução

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/04/07/letrux-se-fragmenta-entre-as-cancoes-do-quarto-album-sad-sexy-silly-songs.ghtml


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